FREDY - diário de um ato(r)

traduzindo
em edição

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Aqui vai a indicação desse livro do CACO PONTES
"O incrível acordo entre o silêncio e o alter ego"

Malucamente coloco minha impressão tanto da poesia, como do objeto livro... Assim como tomo a liberdade de falar diretamente para ele sem ser direto. Pois nos conhecemos. E depois agente se entende..não é Caco?
assinado BRUTUS



Comendo tudo do silêncio e o alter ego.

Todo o livro é uma expurgação do desejo.
E o desejo é pessimista. É vago. Desejo como a verdade do ser. Verdade?
“Nem toda verdade é absoluta.”
A verdade é tão virtual quanto a mentira; a mentira sempre tem que vir com mil verdades inventadas.

Um salto de comentário.

Um desvio da trilha iniciada no comentário.

Celso Borges comenta que Caco anda pela estrada gasta, ou melhor, já gastas do século XXI.
Com certeza na linha de pensamento levantada por ele na crítica da orelha do livro, é óbvio que o século XXI, com seus nove anos esteja gasta. Ela parte de uma visão do século XXI nascida no início do século XX. Uns cem anos de atraso na crítica?
Primeiro que Oswald não é modernista – em algum momento do desejo desejado pela sua época que pediu, pedia ele foi e talvez tivesse sido num ponto de luz um modernista – mas como ele mesmo disse: “-Modernismo? Mas modernizar o que e que arte do Brasil?”

É assim que no contrário à afirmação do sr Celso Borges, torna-se possível abrir a possibilidade de uma nova música ou signo para os poemas dentro do livro. Os poetas dos anos 70 não retiraram o paletó de Oswald e foram às ruas desbundar.
Se eles continuaram a poesia do Oswald na ação, ou da ação “modernista” - para os letrados – iriam entender que Oswald pinta seu paletó e recorta-o para o clima do Brasil, já demonstando o porque de não existir modernismo, arte nascente de sua época na Europa.
Oswald não retira, digere. Eles não retiraram o símbolo do conceitualismo da época que é o paletó. Logo depois dele, - ele como símbolo também – já não existiria mais paletó.

Parar aqui.

O comentário não é sobre Oswald, nem os anos 70, “ A nuvem cigana”... Não vale a pena esses paralelos. Não que eles não sejam um colar truncado. Pois estamos falando de poesias, influências, negações das tais, asismilações... Mas por necessidade e respeito ao nascimento desse poeta CACO; e que eu vi virar CACO. Há uma potência por trás do CACO, se chama Juninho.
O erro puro. A busca. Semprecisar ser o texto intelectual que o professor Vicente analisa:

“ As frases seguem o rumo da construção do pensamento do enunciador do discurso, a semântica difusa se resolve na sintaxe difusa e em rimas que pipocam aqui e ali. (…) ”

Que isso? O Caco fala da rua, dos interiores do ser, fala até do desejo... podia ser do desejo de trabalhar essa linguistica...mas leia. Basta ler, talvez não com essa cabeça, talvez ler com outras partes do corpo. Lendo isso, do professor, me diga: sobre o que diz a poesia do Caco?

Logo que pedi o livro, na maior cara de pau, dentro do teatro Oficina, folheei. E me questionei quanto ao conteúdo do livro com seus comentários de intelectuais e os poemas. Me pareceu uma contradição.
A poesia que tem o poder de phoder estar em uma árvore, uma parede, muro, distribuídas pela cidade pois é feita da cidade – no fundp demonstra necessidade de ser analisado, e julgado poeticamente, filosoficamente, emocionalmente... Como a visão puramente negativa e anti-euclidiana – por ignorância – levantada no prefácio - sobre as raças do Brasil.
E assim o professor analísa o vivo como um corpo morto e estático do poeta criador; limitadamente faz uma breve análise mal formulada sobre o preconceito e esquece que além do Brasil ter sido muito mais que “branco, indio e negro” a formação social, cultural, biológica, foi completamente a-linear. Nazismo é uma raça predominante, e essa noção ligada à noção de nação. O que fisiológicamente o Brasil já não tem – não que não haja preconceito – o TUPI mesmo já era uma raça misturada, miscigenada. É assim que há o equívoco em sua análise para dizer sobre a turma dos Maloqueiristas. Portanto também deixando a poesia do Caco ficar limitada – numa noção social do séuclo passado, uma visão social modernista, sendo negada enfim -.
Acredito que uma opção por escrever “e como mutante...” ao invés de sobre o mendigo, descrevê-lo ou não é uma questão de brisa, de vento inaugural numa folha morta. Não de ideal.
A poesia não tem ideal. E deve ser como o vento. E a poesia do Caco sendo puro desejo possibilita que coloquemos a nossa vida - daí sim professor, relacionar seus ideais e coloca-las na boca e na escrita do poeta – revendo ou não nossas próprias inquisições. Podia até não ser nada disso.
Se a poesia é construção engenhosa quer dizer que não é militante? Ou quer dizer que uma vindo depois da outra altera e influencia o julgo da formação intelectual para a mensagem a ser transmitida pelo poeta, e depois independentemente pela poesia?
O livro é um objeto, é tudo o que é colorido nele escrito desenhado. E o mais forte para poder chegar à sua poesia é, e era entender a contradição que é o livro na poesia e na realização.

O que o Caco como o professor ª Vicente querem, para a poesia?

A construção engenhosa das letras mas não das raças – que ele nega e fala mal, mas que Euclides tão bem revela em sua poesia, e aprende a se ver escrevendo passando o bastão... A raça e as letras em formação são o mesmo corpo. - Ou eles querem a vida pulando de alegria, fazendo tragédia e não drama. Não há porque separar a alma do corpo. Talvez os poetas, professores façam isso. E nesse livro Caco é poeta.

Há, em uma poesia ou outra onde ele se torna sátiro. Além do bem e do mal. Com a doce consiência e maldade de quem sabe da dor, porém as chupa como uma criança chupa inocentemente qualquer coisa a boca, doce, sapato, pedra, coco..
Já nas outras ele vive a contradição. Sem saber. O livro é contraditório.
A poesia fala do desejo. Fala a linguagem falada. Diz do seu afeto confuso, cheio de fios, cantos, visões, dedicações e memórias de amigos, amarguras... É fácil notar a confusão do discurso do poeta quando numa linha diz algo e logo na outra dá meia volta, permanece parado, abre uma caixa, puxa um balão... Isso Caco sabe fazer. Ir contra o que ele mesmo – comum da criação, o óbvio – acredita de antemão.
E isso está explícito na sua escrita. A beleza, se há – não conscientemente, mas pelo menos a busca e expurgação disso como um teste, uma morte – nos poemas, é a busca ainda de um discurso que não se contradiga.
É um treinamento. O poder viver a contradição. Morrer vivo. Estar nas camisetas como CheGuevara antes de morrer. Ser estudado e analísado. Como um grande distanciamento.Ver o Caco brigando com o Juninho. Se for por isso, e for isso, o livro é uma conquista. De ponto de virada. Não a fórmula alcançada, na escrita,no tema, na verdade...
Tudo colocado é negado pelo próprio livro.
E essa poesia deve ser buscada. Que ela não negue a fatalidade de ser um livro nem que exalte isso como uma conquista finale. É preciso mais prazer para tudo o que se nega na vida. Refletir na escrita respiração. A poesia fazendo o treinamento de amar o que odeia, nega, por não entender talvez. E se forçar a precisar entender para que? Basta conviver, morrendo também. E ao invés de fazer poesia contra oou inflamando, é colocar na vida essa poesia que liberta do preconceito, nossa primeira máscara. A máscara mais rude. A menos refinada.

O livro pode ser essa contradição. Mas não é e não deverá ser sempre. É um ponto. De realização mesmo. Merecedora de todos os parabéns. Principalmente se morrer nele e “naiscer” no salto sobre si. No próximo.
Em busca da nova estrada do século XXI. Uma poesia na vida. Como Oswald – já que adoram citações – fez.
Não usou a poesia para negar na crítica subjetiva.
Mas fez do fato “negativo” uma piada para ser vivida.
E quem não gosta de rir?
E rir cantando então?


Fredy Állan
31-12-2008

domingo, 23 de novembro de 2008

O CORDÃO DE BROMELINA E PAFUNÇO
primeira chegada


Pafunço ia.
-Mamão com açúcar!
É o que ele ouvia enquanto meditava o que a criança falou com a mãe que pareceu ter seis anos enquanto comprava e escolhia a cor do desentupidor. O filho não entendia o porquê aquele homem apanhava do cassetete. A mãe dizia que era a falta de informação... Ele daria a internet. A mãe chorou e fez birra. No cacete rolando eles tomam suco de mamão.
É assim que Pafunço traga a carburação dos carburadores indo pela primeira vez ao cinema depois da expectativa de vinte e seis anos.
O macaco de colar de banana foi o primeiro a pular da tela e a pegar ônibus para comprar fumo. O astronauta divulgava a quem quisesse. A maioria fingiu.
Pafunço sem a menor vergonha abre sua maleta e tira sacos de ervas. Sua moeda.
Um grupo de mulheres se agita e joga pedaços de ouro encomendando todas as ervas e fumo de baependí.
O macaco entra no canhão e é disparado para fora da arquitetura do cineartplex.
O público aplaude.
E o filme fica sem saber o que fazer.
Mudinhas falantes cantam.

Poucas ilhas verdes tombadas.
Prédios de neon. Banners vivos.
Comunidades passam pelos corredores estreitos recebendo injeções no pescoço.

Pafunço manda um pombo eletrônico para Bromelina que voltou de carona na bolsa do pássaro eletrônico. Sentiu felicidade com o vento batendo no rosto. Vai jogando papéis ao léu, fora...

Cheio de penas coloridas um anjo procura.

Bromelina passou horas no jardim de abóboras gigantes em terra que dá morangos em época de figo.
Logo ali perto Pafunço aplaude o samba das borboletas.

Bromelina e Pafunço dão-se as mãos.
Ele engasga lembrando-se da tristeza do filme que não assistiu.
- No sei
Olhava aquela scura sala
Com cheiro de pipoca combo
Coca-cola
Desenhando no ar
Da primeira apagada
De luz
A terra tremeu
E a primeira imagem
Que apareceu
Ficou ecoando
Se repetindo
Mil vezes
em mim
Dentro dos fios
Dos cabelos meus
Entrando para
Minha memória
Pelos pêlos capilares
Fazia coligações
Interurbanas
Só me lembro quando
A luz ligou
E via a parede descer
para ler-se os créditos
que não eram cartões
pois se enchiam de uvas e caquis
as bocas
levantei
tonto caí
do filme que eu não vi
ou do que só eu vi.

Na saída do cinema lembrava ainda à Bromelina que todos fizeram ou tentaram fazer ele entender o que não viu. O filme filmado. Arranjaram dois violões e uma kalimba. O segurança de terno roxo e bigode com o menino ruivo do refrigerante fizeram uma música explicando.

Bromelina e Pafunço foram rodando girando no ar como bonecos de chroma-ki.

O anjo de penas coloridas sobrevoa o país do saco cheio.

No final de uma estrada que parece uma avenida onde carros dirigem pés e mãos Bromelina fecha os olhos. Ela se senta como um grão de pólen retornando ao útero flor.
Já sem mãos do seu cinematógrafo ela não consegue segurar outras mãos ou lamber doce de leite. E parar de lamber doce de leite era inadmissível. Se suspende numa calçada sua e sozinha.
Bromelina vai virando Talianida. O rebotalho não quer chuva de dinheiro. Alguém de óculos pretos nos olhos e com mechas brancas no cabelo do governo traz um santo especial para o despejo...
Bromelina cai da árvore e volta ao corpo.
Acende a luz da sala.
É noite Pafunço está a um canto chorando.
- Porque ela vai embora?
Canta a música da cabeça da rádio dele.
Bromelina assustada sem entender como em cinco segundos os faróis ficaram mais saturados com o arrependimento do sol olhando para Pafunço afobada numa cavalgada um tropel de búfalos solta a barreira da barragem do seu medo e diz simplesmente que ela iria para lá não para ficar eternamente longe de qualquer parede que ela tenha visto nos dias tropicais e dos shows do necessário, mas porque precisa dormir e acreditar no sonho que é dela.
Como qualquer drama que faz qualquer homem virar poeta compositor escritor ela vai embora. Nega o canto do pombo eletrônico, que fica sem alpiste ou maça. Pafunço troca de canal e não está mais na aurora que nasce aos olhos molhados cor de ouro em reflexo de dor.

Um violão se suicida.

O anjo voa de asas coloridas levando livro da brincadeira.
Gêneros literários.
Gaguejando na descoberta da literatura de Machado.
Telefone vermelho toma choque e grita do outro lado informação negra.
O machado matando irmãs árvores no Pará(na)?

Puta sol distorcido faz Pafunço se proteger da chuva.

Todas as luzes estão apagadas.
Pensa Pafunço olhando lá embaixo do alto da colina que toca a nuvem rosa:
- As pessoas de hoje ainda rezam.
Ele sempre que pode lembra consegue tem vontade sobe lá para visitar a comunidade que saiu dos livros de Jorge Amado, que por entenderem sua comunidade como uma classe carcomida resolveram ficar tomando ácidos de bolo de chocolate a sorvete de uma nota sustenido, fazendo experimento de teatro dentro de tubos de ensaio e clones no teatro, já sem palco, super aerofônico.
Em cima das nuvens fica mantendo a concentração tranqüilizante com reprises nos sonhos dos que não abrem o cello e vão lavar a roupa, a louça.

Bromelina não aparece por duas primeiras primaveras que passam sempre depois do inverno.

Depois de deixar o clone se tratando Pafunço tropeça numa raiz gigante de uma árvore de acerola que nasceu da noite pro dia no meio da avenida enquanto os operários trocavam as tartarugas velozes.
Ele cai batendo a boca no chão, sentindo o gosto de sangue que lembra da boca de Bromelina quando voavam de bicicleta. Onde ela bateu o joelho na boca fazendo sangrar.
Pafunço a beijou na lembrança.
Uma gota do céu dos seus olhos cai.
O trovão no peito o choque galvânico das nuvens saiu em estática de urro pela garganta uma tempestade.
No primeiro mês ninguém lhe deu atenção. Porém suas lágrimas começaram a criar erosões pequenos sulcos corroendo e escavando a terra de barro aos pés da árvore, corroendo até a pedra. As pessoas da cidade tentavam alcançá-lo mas as ondas contra são mais fortes. Uma índia tentou gritar transformada em agro pecuária amiga uma projeção astral que ela está no lugar do palmito dentro da palmeira. Mas ninguém pode cortar a árvore senão ela vira palmito. Ela tem que sair sozinha, como borboleta. Sozinha e de asas. Se quiserem adiantar sua volta e cortar a árvore terão que começar do zero.
Isso fez do choro maremoto.
Passam dois anos de águas sem fim.
As pessoas começam a criar casas barco e vão conhecer o país da correnteza a que leva todos para longe de Pafunço.
Com os anos suas trovoadas se tornaram eternos lagos correntes cristalinas.
Pássaros atravessam o continente e vão no verão se banhar e cantar em poças paradas perto dos seus pés. Cardumes vão contra a correnteza e entram em seus olhos de Pafunço para procriar. Nessas épocas ele ri chora de rir de saudade.
No inverno animais se aproximam. A correnteza triste não esfria. A fonte é um coração quente. Como o choro é o fim e o começo no rio ele escorrega e é levado. Vai tentando se equilibrar. Pára de chorar. Vai parando. E o rio vai secando em um dia sem sol.
Ele olha para o curso quase totalmente vazio e as vidas que morreram sufocadas sem água quando ele parou de chorar. Ficou absorto de como suas lágrimas sustentavam tantas vidas.

Os neons das cidades estão vivos tomados por raízes plantas árvores que se assimilaram à criação humana.
A descoberta. Algumas árvores no escuro ficam acesas, e por aí vai a infinitude de misturas.
Umidade. Cheiro de terra em dia de chuva ou de mofo eletrônico.
Algumas crianças brincam na calçada de barro molhado. Elas deslizam e fazem bonecos delas. Às vezes não se sabe quem é quem quando estão cansados.
Uma vez um dos meninos dormiu sob o sol. Acabou ficando dentro de uma crosta de barro por três dias até que choveu.

O anjo vem de asas de metal um metal do centro da terceira terra no segundo coração do anel galáctico da escrita minha e sua leitura.
O anjo se conecta a raízes de procura.
Ervas queimam.

Num dia de seca nos olhos e saudade Pafunço vê suas pernas caminhando depois sente os olhos olharem as casas passando lá ao longe da margem da estrada. São casa prédios quitandas cortiços crianças senhoras de tanga raças colônias formigueiros...
- O tempo - pensa o corredor solitário - são muitos.
- O tempo passando de mim e de lá são diferentes. Existem os mundos.
E ele chega a um rápido refrão de conclusão sem rima.
Que até essa idéia musical de mundo paralelo essa teoria mesmo não abre portões dos mundos. Essa lógica do lado do paralelo do em cima e embaixo é desse mundo. Talvez para outros e nos outros mundos não houvesse a matemática da gravidade lógica.

Mãos Pafunço apóiam a cabeça. Ele lê dentro de uma xícara de café uma cidade que submersa guarda os segredos e os paradeiros das pessoas perdidas.
Seu destino na borra do café com leite.

Seu coração pulsa e move os braços dele, a consciência vai acordando.
Ele finalmente vai tirar seu carvão enterrado, em pressões de anos milenares.
Ele abre o bolso enterrado arranca uma borracha que guarda uma pedra.
Vento. Asas. Música sacra.
Desce o anjo por trás da montanha. Aparição aos olhos Pafunço.
- Finalmente... encontrei-te!
Pafunço não foge. Fica congelado. Seus pés fincados no chão.
O anjo entrega-lhe a semente e uma rosa dos ventos para ele chegar à cidade.
Olhos arregalados Pafunço. A semente que não parece uma semente é o germe da palmeira, ele enterrará sua pedra carvão com a semente. Anos depois ela sairá de lá de dentro com o carvão virado pedra preciosa de união. Ele encontrará sua musa em poucos anos.
Os animais fiéis de sua dor tomarão conta de sua plantada até a mulher sair da palmeira.

Terreno. Terra. Pássaros buscam galhos fazem o ninho do berço palmeiral. Lobos viram escavadeiras. E no final uma festa.

Pafunço vai embora quando tudo está bom. Vai encontrar a cidade. Depois vai retornar alguns anos para encontrar a árvore. A palmeira. Bromelina libélula.
Um pouco mais ao longe da festa na estrada a rosa canta um canto de rota de sereia. O anjo sopra no ouvido.
- Você vai
Encontrar a cidade inundada
Cuidado!
Primeiro procure o velho que te dará
A experiência do oxigênio
Chamado argônio
Coma o que ele der e cheire o argônio
Risadas você pode dar como com suas ervas
Ele ajudará a chegar mais fundo.
Lá em baixo procure casas ainda conservadas
Inteiras
Veja gavetas conheça e abra baús agendas de crianças
Cartas de despedidas
É lá que você descobrirá onde ela está
Você lerá o que ela ainda vai escrever e te descrever
Mas cuidado! Não se assuste se o que as águas
Negras da cidade te mostrar
Você vai ver se o rio quiser te mostrar
Os mortos seus
Seus amigos, familiares, amantes
Todos seus conhecidos que morreram

A cidade é uma planície quieta de açude.
Pafunço entra na água gelada com o argônio na cabeça. O velho fica sentado só rindo. Tem o rosto todo enrugado e um trompete todo enferrujado num pote de vidro pendurado na entrada da sua cabana.
É tudo tão escuro. Ele desce só com uma corda para não se perder. O argônio segurara por horas sua presença submersa.
Os prédios abandonados vão surgindo parques escolas... ruas... tudo apagado.
Silencioso. Silêncio irritante. Pafunço entra em alguma casa. Abre uma gaveta e nenhum papel, nenhuma carta, nenhuma música dela... Vai ficando eufórico procurando por todos os lugares submersos. Vultos de um amigo, a mãe adotiva morta, o avô sem perna vão bailando nas sombras... Ao abrir uma porta, Bromelina aparece branca sem os olhos com os cabelos voando na água e seu vestido de defunto de filme de terror. Pafunço fica doido. O argônio acaba não se lembrava o que o anjo falou. Tudo é ilusão. A morte é o medo de nascer.
Ele fica sem ar, engole água enquanto a imagem dela vai desaparecendo com areia na água. Ele vai se afogando, ficando roxo gritando para dentro com a água engolida.
Tremidas convulsão a cabeça ecoa uma nota B R O M E L I N A.
Bromelina B R O M E L I N A B R O M E L I N A
Os olhos vão fechando. Ele vai virando a própria solidão das cidades submersas.
Pafunço morre.

Luz. Azul do céu. A luz se abre. Ele cai. Parece sair de uma incubadeira vertical. Cai de quatro cheio de placenta traz nas mãos um diamante suas costas fazem movimentos e secam as asas. Asas!
A palmeira verde faz sombra do sol da aurora e orvalho a mão delicada de rosa acaricía o rosto de Pafunço rosto maduro tranqüilo apaixonado.
- Eu morri.
- Não. Você nasceu. Estava te esperando.
Agora vamos continuar.

(...)

Final da primeira história
“O CORDÃO DE BROMELINA E PAFUNÇO primeira chegada”
Fredy Állan
22 de novembro de 2008 RJ

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

ENCERRAMENTO E GRAND-FINALE



Nada te sucederá
Porque inerme deste o teu afeto
No soco do coração
Te levarei
Nas quatro sacadas fechadas
Do coração

Ao teu lado
Terei o mapa-múndi

Viveremos
O corsário e o porto

Eu pra você
Você pra mim

Pra lá da vida imediata
imediota
Encerramento e grand-finale

oswald de andrade sp dez 1942
e
fredy allan rj set 2008

sábado, 20 de setembro de 2008



embalo amanhã e manhã
até tarde noite

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Texto publicado na revista CHUTE - ANTROPOFOTOGRAFAGIA- a pele que envolve a carne não tem planos

para a multiversidade a universidade etéreo e etherno

O COURO QUE ENVOLVE A CARNE NÃO POSSUI PLANOS

Antropofotografagia aos Negros

Fotografar o evento que durou quatro dias no Teatro Nelson Rodrigues que é administrado pela Caixa, projeto “Negro Olhar” realização de Tatiana Tiburcio.

Negro Olhar, o primeiro ciclo de dramaturgia de autores negros com atores negros... Um projeto para trazer à cena em leituras a situação atual dos afro-descendentes.

Presenças de grandes atrizes do teatro Brasileiro, Lea Garcia, Ruth de Souza, também o ator Milton Gonçalves com jovens atores, que fazem TV.

Cada peça trouxe um tema foco/ângulo sobre o negro, numa época, em tipos de dramaturgia/reflexão uma diferente da outra. Sortilégio mistério negro de Abdias Nascimento (autor, Brasileiro, que no dia da leitura de sua peça entrava no hospital, mandemos axé), O traseiro negro de Ma Raney de August Wilson, Tamborim da glória de Langston Hughes e As respostas da coruja de Adrienne Kennedy.

Ao final das leituras a professora Dra. Leda Maria Martins mediava o debate abrindo, sobre o autor do dia, um leque de conhecimento histórico, cultural, como também sua admiração pelo projeto, os atores lendo e debatendo as questões e posições divididas com o público, tudo dito em sua fala explicativa, não tediosa, simples, comunicativa, serena e não racista.

Antropofágica?

Um dos textos em um dos dias era muito preconceituoso, mas essa questão se resolveu nos dias que se seguiram, abrindo os pontos de vista entre os quatro dramaturgos.

Para resumir tudo o que ocorreu - do que discorrer sobre cada peça ou tema escolhido etc. – como pontos de virada, os pontos de luz, deixo aqui um depoimento e questão, sobre esse ponto de transformação, e não reativa a um “sistema de brancos”.

A grande questão que foi levantada foi a “moral”. Foi levantada mas não foi vista. As discussões ficaram no plano da pele, da história; nem da moral delas, mas dos “fatos”. Falou-se sobre os preconceitos atuais sociais “deles negros”, mas que eu me identificava, por exemplo. Então lembrei de uma música de um disco do Macalé com Luiz Melodia - um branco e um negro - que diz que “o couro que envolve a carne não tem planos”.

Agora entendi!

Entendi!

É claro que os negros têm que trazer à tona a história de seus ancestrais, assim como os índios do Brasil também e os negros-negros, brancos-negros, brancos-índios, índios-negros, negros-índios. Tudo pelo documento. (Passando pelo Catalisador). E revelar as artes. As técnicas, a cultura “perdida” e transformada transformando. Mas não para “provar” que negros tem tudo aquilo que o branco tem.

Provar!? Provar o quê para quem?

Muito reativo não? Cabeça de branco isso, não?

O que importa dessa nossa reflexão se ela ficar tentando provar ou buscar uma igualdade no que é branco ou não, se a pele, o couro que envolve a carne não tem planos?

Cabeça de branco isso, não?”

Volto e digo que a discussão para enriquecer a nascente do século XXI deve ser “comida a moral”, o tabu.

A questão tem que ultrapassar a moral de submissão, moral de inferioridade, entendendo como moral a ser comida.

Que temos nós com a escravidão, com o que aconteceu? Podemos sim reparar, diminuir os danos sociais ainda impregnados, o que não exclui outros couros em outras carnes. Estamos divididos em classes, e temos os formatos ideais de quem compõe as classes, por outro lado tem a realidade, que não há molde, negro é pobre ladrão, branco preconceituoso ou o que for do gênero.

Na realidade, a cor não importa, importa a moral.

E só pra contrariar um depoimento vindo da platéia dizendo que a culpa é do Gilberto Freyre que disse que somos uma população Brasileira, fatidicamente e fatalmente preguiçosa, enquanto que um americano quando está indignado compra uma arma, sobe num prédio, mata uma galera e ainda se mata, por ser-estar indignado com seu sistema.

Mas pensa nessa ação de comprar uma arma. Só pode vir de uma cultura que acredita que não tem outra solução a não ser à força. Por mais que o cara esteja indignado ainda faz o que o sistema quer que ele faça, como limite o cara ainda compra armas, balas de revólver. Sei não. Não to falando de paz, de gente boazinha no mundo.

Falo de Homens Tropicais.

Não somos reativos.

Pra quê brigar e ser reativo?

Podemos e devemos ir à luta, pra briga, na ação!

Não na reação!

O problema de todos no comum é a fome acima de tudo.

Essa terra é antropófaga. E macunaímica. Temos no Brasil ou tivemos uma sociedade também antes de chegar europeus e africanos; o inverso disso, essa reflexão sobre esse americano é sobre o homem reativo.

Não há problema na preguiça.

Se ela for macunaímica.

E assim abro o tema:

O que é e qual a diferença dessas preguiças?

Vamos comer?

Vamos comer.

Olhos da Cinelândia Alcindo Guanabara pro Mundo. Daqui da Ágora da mudança, do amor dançando na distância, tentando refinar minhas veias e circulações nas circulações de sobrevidas culturais ou estagnadas. Olhos olhando da Ágora.

Fredy

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Eu Rio
o que se faz dessa história
Mas chame de história
ela foi estória
a agora é modernismo
A confusão da carta
são confusões
de situações
e buscas miramares

terça-feira, 13 de maio de 2008

- Vão voar.
Mas já foi, existe não
Essa é uma gravação.

Cai um pássaro.
Para tudo.
Um homem Brando, vai ao pássaro, toca-o.
Recebe-o.
Guarda-o nas mãos enquanto fala.

H. Brando- Cheguei num vôo por aqui
Vivo.
Um vôo.

Mas que adianta se
É amputado?
Se pena que rabisca vem da minha asa esquerda?

Alguém que quer
Chegar ao sol
...Ícaro...
E caí queimando
Eu sei.
Pássaro satélite.
É só pousar que
É amputado.

Um velho grisalho, vai atravessar a rua.
Ele roubou um livro.
Mas a pessoas nem o leu.
Ele diz que foi um favor.

H. Brando- Cada criação, uma melodia
Não deixa que eu sei.
Medo medo medo
Essa arte sinovial!

Farol vermelho. O velho palitó do Velho vem atravessando.

H. brando- Imagina que esse
Velho esteja contra
A maré de gentes
Da liberdade
E tromba todos.
Ele desvia...
A massa gosta da massa
E de se amassar
E voando alto, só quem
Voa alto fora das paredes
Esburacadas
De arte de ratos
Sente o prazer de sua
Aerodinâmica...

Aerodinâmica das balas.

domingo, 4 de maio de 2008

LÍDIMO- o palhaço sério está fora da burguesia

Passamos do tempo em que a pura intuição
fazia um artista.
Hoje em dia,
o estudo possui uma impôrtancia

fundamental.
Denúncia do intelectualismo falsificado,
postiço,
imperando a confusão das idéias importadas

(de imagem).

A Antropofagia
a nossa gia-antropo
revolução de princípios
é
de Roteiros
roteiRIOs
de indentificação

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Nossas diversas manifestações

Nossas diversas manifestações.

TeAto

CineAto

-Atos do Te-ato Móvel

AMORTA ato

leituras

treinamento do corpo do ator do Teatro do Rio de Janeiro

despertar de entre os mortos

-Abertura da Associação

-Dulcina DULCYNA

-Atos do Teatro Móvel

O Teatro Móvel, nasce do desejo de ocupações dos espaços fechados do Rio de Janeiro. Ato externo para a busca interior e do interior abri-lo.

Esses espaços se compõem de teatros abandonados pelo poder público e artistas, cinemas fechados, galpões etc.

Atos em suas fachadas.

Mas com a direção: os atos serão feitos em frente a espaços de importância histórica e cultural para a vida da cidade.

Dentro de cada especificidade dadas pelos espaços e sua necessidade dentro de tal região, serão vividos textos que comuniquem e representem o ponto de virada dos lugares.

A poesia para atos que englobam o cerne de estudos do Teatro Móvel que são:

1° desenvolver o espaço nu. Para ocupá-lo.

2° estudar na prática a nova e sutil inter-relação entre as tecnologias trabalhadas dentro dos espaços. Cinema Teatro Música. Essa tríade-síntese englobando subcategorias contribuem para a busca de uma nova finalização de arte.

A ocupação de um espaço vazio por pessoas cujas técnicas contribuirão para o preenchimento desse espaço, será o terreno onde essas próprias técnicas desaparecerão.

A idéia não é fazer um teatro de Rua.

Porque buscamos nosso espaço.

A idéia de Teatro Móvel não fica só para o movimento de ir a lugares. Mas de fazer um lugar ser muitos outros.

Nesse momento a opção por atuar em fachadas, é de incentivar e mobilizar as atenções.

Nosso te-ato busca a ligação do ator e dos presentes no ato para manter o estado poético carnavalesco lúdico, com as projeções-músicas, novos dados e dimensões; o desenvolvimento através dos pulsos sonoros do desenrolar de uma apresentação, de uma história e de uma outra forma de produzir, praticar, e participar dos dramas e tragédias poesias.

Praticar atos que dialogam com os lugares em que estarão sendo feitas as apresentações, atuando as arquiteturas da cidade, as tecnologias, de teatro, cinema, músicas, representará o desejo do grupo de ocupar espaços para abri-los e desenvolver com o público os atos. O passo seguinte, estar em um espaço em que o desenvolvimento de um ato, um objeto artístico possa ser acompanhado e praticado pelo público.

-O PRIMEIRO MOVIMENTO

As conexões - associações

De informações

Imagens e desejos

Para dar início a prática do grupo para o Teatro Móvel, iniciamos um Panorama de Análise, no teatro Dulcina nosso primeiro movimento de respiração coletiva.

Esse panorama é uma autópsia. Tocar o corpo. Autópsia do nosso corpo.

No teatro lembrado como Teatro Dulcina, que tem o nome na fachada como Teatro Regina, representa muitas coisas em uma coisa só.

Sendo ao mesmo tempo, um teatro abandonado é o drama do teatro.

Que na MORTA terá em tambores seu chamado de poeta pra salvação da MORTA.

Espelho da vida. Do corpo.

Dulcina de Moraes no ano de 2008 completa 100 anos de vida.

Dulcina é e foi uma mulher que agiu para o teatro, iniciando uma universidade no Rio de Janeiro, que foi construída em Brasília.

Ela como ícone aniversariante, nascente, que deu a vida pelo desenvolvimento da arte tomamos como ponto de partida e força de impulso para nossos movimentos, que é o de participar junto a uma gama de artistas a nossa renovação, o encontro, nosso jeito de atuar no Rio de Janeiro.

Destrinchar a cidade.

E para contar a luta do estudo e movimentação por uma veia estagnada-coagulada, mal cuidada, que leva como exemplo o teatro Dulcina, projetamos o panorama de análise, de A Morta de Oswald de Andrade, um poeta paulista mantinha relações poéticas com o Rio de Janeiro (No Rio de Janeiro, ele escreveu O Rei da Vela, peça montada 30 anos depois de ser escrita, pelo grupo teatro oficina. Uma das mais importantes montagens do teatro Brasileiro nos anos 60. Assim como escreveu o SANTEIRO DO MANGUE em resposta a dois poetas cariocas).

Deixamos que os quatro personagens da história A MORTA nos dêem seus corpos palavras significados para a nossa autópsia.

E para entendimento O Dulcina, a Cinelandia, o Rio de Janeiro.

Um entendimento sensorial, de sensibilidade, que desemboca em alegria, encontros, expressões;

A cidade será entendida como o lado de fora, o lado público de nosso corpo.

Montaremos o ato, que será o estudo e início da prática do Teatro Móvel.

O ator na relação com as tecnologias, os corpos.

Faremos a MORTA em frente ao Dulcina, tornando poética a reflexão de como poderemos atuar como artistas desenvolvendo trabalhos, tomando partido e exigindo do governo público e a FUNARTE, a atenção viva para a proposta de uma nova arquitetura, dinâmica para a abertura do teatro, seu lado estrutural, com a renovação da sala de espetáculos tornando-se um espaço, e não só um teatro.

E será ocupado.

Em sua ocupação nascerão as cenografias que disporá o público e as movimentações.

Cenografia que virá do corpo dos atores, suas demandas.

-ATO A MORTA

cortejo

DESEJO

Sem a ambição de finalizar uma idéia, fundar um tribunal;

Um formato cênico ou impactante.

Simplesmente começaremos através de A MORTA o estudo do grupo, a prática.

Para abertura dos abcessos fechados, corpos-espaços.

Na atuação.

No cortejo, onde o bloco expõe seus desejos através da música e da alegria do encontro, do lúdico, da invenção.

Faremos um ato, que começa na definição da data.

E então se darão muitos atos, afim de alcançar uma data de abertura, que é a primeira exposição das idéias no panorama de analise, dos nossos movimentos.

Um grilo na minha tela de computador.

Não sai.

Sopro e sopro. Ele fica.

É Oswald de Andrade:

O Brasil é um grilo. Um grande grilo.


COMEÇO

ENCONTRO

Terão a coragem de se encontrar.

De saber falar suas coisas através de uma música.

Juntos.

Sairão pela praça, com suas sirenes.

Seu estandarte da OUTRA/BEATRIZ puta dos mistérios gozozos, fudidamente bela.

A sirene de ambulância faz o carnaval ser bloco eletrônico ambulante, móvel.

Cheio de personagens.

Ao chegarem em frente a MORTA,

o espaço Regina silencía o cortejo.

Pulso interior.

Andando no silêncio sozinhos, mas ali um com o outro não conseguem entrar no teatro.

É tudo delicado.

Corpos vazios, prontos, preparados,

corações badalando...

Todos olham todos.

Vem a tinta.

Trazida pela cenografia.

É tudo simples e claro.

A porta é pintada de branco.

Pulso interior.

Ouvidos na cidade.

Prosas.

E silêncio.

A porta fechada de nós está sendo clareada.

Porta pintada de branco.

Devemos abrir a porta?

O que tem por trás da porta?

A metralhadora, uma girafa?

Tapete banco estendido de tinta na parede e no chão estendido e desenrolado o nosso chão branco das clarezas sujas de Bachelard.

Cenário vazio.

Corpos tomam o lugar com a maioria.

Se afastam.

O vazio vai trazer algo.

A parede recebe a nossa entrada digital.

Uma porta digitalizada filmada luz, se abre.

Entramos no corpo fechado da cidade e das nossas cavernas.

Atenção!!!

Nosso interior está exteriorizado.

É UM PANORAMA DE ANÁLISE.

Entra o Hierofante...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

CARTA de AMANTE

Carta de amante para Brasília e a nova UNIVERSIDADE



“A vida, a busca, a emoção das descobertas... Isso é que é importante. Foi e continua sendo, sempre.”

Dulcina de Moraes, em entrevista a Sérgio Viotti.

Dulcina é e foi uma mulher que agiu para o teatro iniciando uma universidade no Rio de Janeiro, que foi transferida e edificada em Brasília.

Ela como ícone aniversariante, nascente, que deu a vida pelo desenvolvimento da arte tomamos como ponto de partida e força de impulso para nossos movimentos, que é o de participar junto a uma gama de artistas a nossa renovação, o encontro, nosso jeito de atuar no Rio de Janeiro em comunicação criativa constante dentro da cidade, São Paulo e Brasília.

Dulcina, na vida sua do teatro, impulsiona cada vez mais qualquer um que se dedique a viver daquilo que ama. Eu amo a minha vida no teatro. Onde assumimos todo o nosso ridículo, todo nosso medo e fazemos o real se desdobrar, se inverter...

E ela fazia isso. Na vida. Fez no Brasil.

Ela nasce (em 1908) quando o teatro moderno nasce. Os teatrólogos descobrem a luz. Descobrem a edição no palco. Essas foram evoluções propostas, por naturalistas, realistas, simbolistas, etc, com Antoine, Copeau, Craig, Stanislawiski, Romain Rolland,Apollinaire, Grotowski, Vilar, Ronconi, Artaud, Brecht, Piscator, Gropius, Max Reinhardt, Ariane Mnouchkine... Fora do Brasil.

Cada um em sua época, assimilando o anterior e impulsionando pra frente. Pondo a teatralidade, no ator, na luz, na arquitetura, no texto.

Sempre em busca comum do significado da palavra teatralidade.

E ver com olhos livres as buscas e as soluções finais. A teatralidade foi sempre, e é, um estado de espírito e poesia. Escuta. Expansão.

Ela vivendo no teatro mambembe até a universidade, aqui no Brasil. Nasce e quase alcança 100 anos na atividade do teatro que se desenvolve no Brasil. Atos que ela revolucionou, e que revolucionaram em torno dela.

Agora temos que nos concentrar na formação de público. E na nova forma de ver o mundo, esse Brasil de cada um, o tempo urge e clama uma nova forma de obter conhecimento.

Dulcina viu no amor ao teatro a sua universidade. Por ser uma mulher de teatro completamente empírica, que já trabalhava memória emotiva nas peças antes mesmo da primeira tradução de Stanislawski chegar ao Brasil; Entre outras ousadias esquecidas no teatro Brasileiro e engolidas pelo cinema e outros grupos que a negaram com o passar do tempo; Como o palco cinético em uma de suas montagens; um palco com 5 palcos, em uma dramaturgia cinematográfica, simultânea trabalhando a atmosfera do naturalismo e distorcendo-a em torno.

Mas ela se preocupou em como desenvolver as aptidões cênicas em “alunos” para que descubram sua força, para que fizessem teatro. Conheceu Brasília e viu naquela cidade vazia, ainda nascendo, um novo mundo. Um mundo literalmente sendo construído. É quando ela bate de porta em porta na busca de conseguir o dinheiro para fazer a primeira Universidade de Teatro do Brasil, responsabilizando todo o governo pela educação e cultura, e usando todo seu charme e nome que tinha como dama do teatro. Até que ela consegue um terreno, quase que por acaso, em um lugar super bem localizado em Brasília. Mas como qualquer coisa que precisa ser desenvolvida e conquistada, a idéia da universidade que ela conseguiu construir foi ficando pra trás, pois se tornou mais uma entre muitas outras perdidas no Brasil. Essa Universidade desenhada pelo Niemeyer, hoje falindo e caindo aos pedaços, é personagem atriz de teatro em palco Brasileiro.

Ela fez a universidade num levante pelo desenvolvimento da carreira cênica. E hoje em pleno século XXI, não devemos nos relacionar e nos conformar com a universidade no formato de ensino que se encontra hoje. Pois todo ano entrarão e sairão alunos, que se apaixonarão ou não, pela história da atriz, vestirão as roupas que ela usou, farão o papel que ela fez, se formarão, e irão embora. Esquecendo que teatralmente a maior força de ação que pode vir de uma universidade da Dulcina, é a tomada de partido, de atualização, da necessidade de avanço e desenvolvimento do ensino. Reinventar a universidade.

Refinar a troca.

Transformando-a em centros de pesquisa. Onde todos os “artistas” tenham espaços para obter conhecimento, trocar, formando, descobrindo.

E temos...

Impulsionado pelos modernistas e Antropófagos (Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti...), a Universidade Nova Brasileira é projetada, e assumida pela primeira vez em São Paulo, pelo grupo Teatro Oficina. Grupo que também se encontra dentro do centenário da atriz completando 50 anos. A UNIVERSIDADE DE CULTURAS BRASILEIRAS ANTROPOFÁGICAS nasceu com a peça Os Sertões e no movimento Bixigão. Trabalho de atores do Teatro Oficina com adolescentes e crianças do bixiga e de outros bairros. No desenvolvimento gradativo, o refinamento da inter-relação entre o que se diz professor e aluno é desenvolvido e projetado para frente. Até alcançar a individualidade que faz você estar em um coletivo. Atrás do seu interesse pela descoberta, especifico e técnico do desejo interior, da nova forma de passar o conhecimento, e convocar aqueles que podem alimentá-lo.

“(...) Eu estou contribuindo, como tantas outras pessoas, para distribuir conhecimento, a noção da responsabilidade do teatro. O prazer do teatro. (...)”

Dulcina.

E para podermos começar a discutir nacionalmente a idéia da Universidade é preciso que antes de tudo os elos de encontro sejam firmados. Aqui no Rio estamos querendo e vamos conquistar um espaço, antes de ficarmos no teatro Dulcina na Cinelandia, para que possamos desenvolver o estudo do corpo do ator no Rio de Janeiro, e também o estudo teórico de muitas vidas anteriores para o futuro teatro daqui. Esse é o cerne da Universidade, que plantaremos aqui com esse centro de estudo, e que queremos que seja mais um lugar em busca de um novo campus, uma nova universidade. Assim juntaríamos em ligação prática de estudo e ocupação Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

E juntos poder pensar, praticar a Universidade buscada. E concretizá-la.

“...Era um sonho, talvez demasiado. Mas sua personalidade ultrapassa os limites do costumeiro. Fé inabalável no que se decide a realizar.”

Sérgio Viotti, comentando Dulcina e a Universidade.

Para dar esse início da comunicação, vamos aqui no Rio começar um ciclo de leituras de peças que ela fez. Que sejam importantes em sua vida, como tem que ser na nossa, as peças tem que contar a nossa história a ser superada, como todo o teatro dentro desses 100 anos de carreira da atriz.

Treinar a escuta.

Também fazemos aqui um trabalho de corpo nominado, inspirado por São Paulo: TRABALHO DO CORPO DO ATOR DO TE-ATO NO RIO DE JANEIRO.

Onde atores, indivíduos, propõem seu estudo de corpo na prática. Proporcionando uma rotação de exercícios dentro de uma busca pessoal de cada um, passado para o outro ator, afim de conseguir se ver no outro. Uma relação entre os amantes do/no teatro. Fora de grupos. Indivíduos se encontrando e praticando o corpo.

E mais o ato em frente ao Teatro Dulcina na Cinelandia, que justifica e motiva toda a força para renovação de teatros, sendo signo de todos os espaços vazios do Rio de Janeiro. Mal cuidados. Entramos e ocupamos. Esse ato é reivindicador. Dos artistas, que estão isolados, para que se encontrem, tomem conhecimento pleno de como estão as verbas públicas dentro do Rio, e como dividi-las para desenvolvimentos dos grupos. Grupos esses que precisam estar sempre nascendo e querendo se encontrar com outros para essa reivindicação.

E, principalmente, um chamado para o governo e diretores de órgão públicos artísticos, para que olhem as propostas abertas e proporcionem ao público em formação a abertura dos espaços e tomadas de lugares fechados. Nós temos uma proposta estética, e financeira para o Dulcina. Queremos a reunião com os engenheiros, o diretor da FUNARTE Celso Frateschi, e todos os artistas interessados no renascimento desse e de outros espaços.

“Caminho orientada pelo sentido quase religioso que tenho do Teatro, fazendo o possível para atingir os pontos mais altos e as fontes de beleza que nunca serão suficientemente exploradas. Não entra nesse meu desejo de procurar sempre o melhor qualquer elemento de superestimação do meu próprio valor, mas apenas a convicção de que o artista traz a tarefa de buscar e revelar todas as coisas belas da vida, na missão de aproximar, melhorar e harmonizar os seres – uma missão de comunicação humana. Não há, portanto, sentimento de vaidade individual nesta espécie de profissão de fé que estou fazendo a você em relação ao meu programa, ao que eu já fiz e ao que pretendo fazer em teatro. Há simplesmente a declaração sincera de um compromisso a que me sinto obrigada por um imperativo muito interior, muito íntimo, ao qual não desejo fugir”

Dulcina

Assumir em Brasília esse bastão, como indivíduos-força e promover a comunicação com as artes no Brasil. Fazer essa ponte e realizar algo em Brasília só tem a fortalecer a reivindicação para esse levante cultural, que o Brasil precisa.

Para isso, todos os artistas que falam, reclamam, vêem as brechas sendo feitas, precisam se coroar e começar a mobilizar pessoas, pelo coração, o corpo todo, alma, para a mobilização de uma ida a uma nova Universidade. Uma nova formação. Uma nova forma de desenvolver cultura. Teatro, cinema, música, artes visuais, universidade... está nas mãos de quem tem coragem. Ou fazemos ou nos fudemos.

Pratiquemos nossos atos, e encontros.

Escrevamos, desenhemos, componhamos,

Atuemos, gozemos e façamos.

Coragem.

Comendo burocracia. Revendo o Brasil.

Nascendo de novo. Saindo da InCUbadeira.

OURU

MERDA

Fredy Állan

bycho carpynteyro

OLARIA de São Sebastião

segunda-feira, 21 de abril de 2008

BLOKO

Hoje

Primeiro dia do OUTONO e os soluços longos dos violões.

De manhã, os atuantes do teatro no Rio, que buscam outro corpo, se encontraram.

E malharam o corpo. Suaram. Correram muito e correram veloz como Mercúryo e alcançaram, no lugar, a ligação do teato.

Depois de treinar os músculos, a resistência, preparando o corpo pra dominar a mente, trabalhamos o espiritual, os canais que abrem passagem ao deus da Olaria no terreiro do Pé de Laranjeira.

Hoje houve uma hierofante entre os praticantes.

Nós que estávamos exaustos no meio do trabalho, terminamos todos água...leves, bamboleantes, passando o conteúdo vazio, na hora enchido com nossas flores terceiro olho.

Dali podíamos fazer tudo, sem falar. E continuamos no axé. Na paz conquistada por um dia de treinamento. Porque como diriam, é um luxo em meio a cidade que corre, os que podem pelo iniciamento do rito a ser aberto, se encontrar e meditar, suar, e trabalhar o espírito, a alma, que é o corpo. È um luxo poder fazer isso, ou mesmo querer e ainda por enquanto não poder.

As coisas são conquistadas, nosso ócio assim como trabalho.

E um será no outro.

Depois no final da tarde, lemos a MORTA.

O 1° quadro. O que por nós será praticado, atuado no Dulcina.

E os corifeus desejosos que lá estavam, começaram a se embrenhar na mata, na ontologia... do texto.

Na prática da fala.

E a fala pediu o corpo.

Nasceram novas camadas e a retomada de A OUTRA ser a telúrica Terra... numa discussão profunda, para a superfície ser refinada.

O desejo foi tanto e as surpresas de novas pessoas lendo, que fomos a praça, instigados por um sentimento de poeta. Do outro lado da rua. Lá fomos nós, que depois de meditar a rubrica, que diz que os personagens separados não estão juntos, mas na ação são coletivos.

Uma coisa assim...

Já havia a meditação dos personagens planetas, pra entender a predisposição física e como eles se inter-relacionariam.

Mas o que ele diz é que eles não se comunicam entre si. O que nos deu um jogo, como evolução da primeira autópsia, onde colocamos todas as falas dos personagens juntas, como um monólogo pra ver realmente se eles falavam sozinhos. E falam como falam coletivamente, e não dramaticamente senão fica chato e óbvio. Isso na teoria até é compreensível. Mas vai falar o texto sem escutar o outro, sem pegar o fio da meada, da música do corpo-instrumento do outro. Nós, que nos treinamos a escuta. Fazendo assim toda vez os personagens ficarem naquele mundico dramático, psicológico, enquanto queríamos é analisar todo esse princípio. Ontologia. Pré-dispor. Como planetas que demonstram as tendências de como eles influenciam alguém.

Os personagens sim, têm um monólogo sozinho, e para nossa confusão Oswald os coloca numa construção dramática, de prosa, conversa. Temos que fugir. O problema não é aquela mulher estar morrendo enquanto uma outra dentro dela, mas fora, pulsa querendo retornar, e um poeta não querendo que ela morra, com um hierofante marretando morais. Mas sim o que ela significa, -qual o signo pra ela?-, ou o momento, o lugar que estamos.

Vimos então que as frases são independentes da construção prosa. Nós poderíamos refazer o texto com aquelas falas. Fizemos um exercício: como cada um tinha em mãos algodão e sangue um texto, só com as falas dos personagens isolados, não iríamos seguir a ordem do Oswald, do texto. Nós iríamos na escuta, no significado da fala do outro; e fizemos. Muitas coisas legais surgiram, mas ao terminarmos ainda ficou aquela questão: nós estamos fazendo e estabelecendo uma relação um com o outro, embora as ordens das falas estejam ao léu, no desejo do ator. Mesmo que não fosse os personagens, e fosse agente. Ao mesmo tempo que a idéia primordial era não estabelecer uma prosa.

Mas o texto é um jogo onde tudo se encaixa, como for, nas seqüências ou formatos em que for tocar a música da partitura do texto. Daí pronto. Entendemos. Entendemos quando fomos à rua, na praça. Em que um menino toda hora ficava dizendo NÃO. Agente fazia uma fala e ele dizia NÃO. E uma boa parte do texto, conseguimos deixar o menino no centro de uma roda, e todas as nossas falas eram pra ele. Os quatro personagens que antes discutiam um com outro, começou a somar idéias, e a expor seus movimentos desejos e recalques, mas para o menino, falando com o menino, ele “foi” todos os personagens, dependia de quem falava.

Assim fizemos o que? Fizemos os personagens agir coletivamente. Era isso que faltava. A ação primordial da cena com essa direção da rubrica. Nós que tínhamos e temos algo a dizer além daquela música, personagens, fazemos os personagens falarem seus textos como um chamado de um corpo só. Como se os que estão falando fizessem parte de um corpo maior, do qual eles fazem parte, e no momento ainda circundam no entorno de sua parte maior, e porque não, agora, antagônica, até retornar...

Essa magia descoberta, é foda na prática. Porque ainda voltamos para a sala, e fizemos cada um encostado em uma parede. Ainda tínhamos aquela ação coletivamente, mas logo estávamos não falando pra algo sobre algo, estávamos de novo, e num círculo fechado em que os personagens não saiam do drama, ou do que estávamos descobrindo um do outro através do texto, ou seja estávamos no círculo fechado. O que nos fortalecia no “olhos nos olhos”. Faltava ali na sala nossa ação coletiva. Aquela que o menino provocou em nós juntos, e falávamos só com ele, todos falavam com ele, éramos um só, querendo que ele fizesse outro algo. E era jogar com agente e escutar também; e ele fazia. Mas com NÃOs.

Foi isso que constatamos. E levantou-se questões sobre cada frase dos personagens sentidas. Enfim foi um encontro de encontro mesmo, pororocando e abrindo abcesso. De teato, e que na loucura da descoberta fomos a um lugar oposto ao nosso em que estávamos o dia inteiro concentrados; e nos chocamos com as milhares de disponibilidades, e de dimensões quando se está em um lugar aberto e onde tem crianças principalmente. A coragem. Ou não só o lugar aberto mas com certeza, maior do que a preparação, ou pelo menos a dimensão da preparação ainda não chegou. Início. A comprovação do rito ligação e poesia. Elas, as crianças, ficaram o tempo inteiro com agente, rindo e gargalhando. Tinha umas meninas que ficaram andando atrás do poeta, como sua sombra.

O menino dos “NÃOs”. Uma bebê de carrinho com seu pai que apareceu quando a Beatriz se perguntava porque tinha nascido, e o pai entendeu. Enfim o texto embora ainda bem virgem, na mão, tomou a espacialidade que precisamos, para poder não fazer os personagens conversarem entre si, mas agirem coletivamente. E daí enfim surgiram muitas coisas que quem viveu vivo tem que estudar entender para poder no próximo jogo já dar seus passos, seu ritmo, e jogar, estimular. O objetivo é o coletivo, agir coletivamente. E hoje se agiu coletivamente, fazendo como o Zaratustra nos cantou, PROCURE ZEROS.

E daí tinham muitas pessoas.

Evoé.

Começou. Quem quiser chegar pro ato chega. Que quiser aparecer só no ato, apareça. Só não fique incomunicável. Nós criamos a comunicação, não importa a distância; a distância é outra coisa.

Pelo amor recebido hoje. O passe. E coragens.

Vamos em frente, ao refinamento da nossa atuação.

Sabemos o que é o medo?

MERDA

ENFERMEYRO CARPYNTEYRO

Quarta-feira, 20 de março.

1° dia de outono.

Em São Sebastião.

Amor e saudade

sábado, 19 de abril de 2008

JARDS - e oniBUS

Mais uma vez. Dentro do coração.
Mesmo lugar sentado.
Queria que a música de meu irmão estivesse assistindo.

ODEON MACALÉ SERESTOU.


Com vídeos da vida de seu cinema. Cinema Brasileiro.
Podíamos ver o novo do velho; a música com o cinema show teatro.
Todos amando o Macalé.
Seu humor.
ODEON lotadasso!
Macalé nos seus volumes de silêncio e sons, murmúrios, balbúcios,
notas na voz, surdo o violão...
E todos acompanhavam afinados seu canto humor.
Esse é um músico Brasileiro.
Embora tivesse que tocar tudo rápido não deixou de expressar suas modulações
de alturas como a cidade do Rio.

Poderia falar de mil maravilhas que é ter, um espaço lotado, filme e Macalé.
Mas perderíamos na memória os pontos de virada, pontos de luz, erros e brechas
da proposta que Macalé soube tão bem comandar, dançar cantando.

O vídeo. Era dito que o vídeo narrado seria pela música, o vídeo e filmes.
Nem levanto a questão da qualidade do vídeo, algo que não tenho a pegada de destrinchar.
Mas, entrava um vídeo. O Macalé, teatralmente, assistia e pegava o fio do som e da meada emendando na música ao vivo; quando isso se dava, o vídeo ao invés de continuar a dança que ele retirava da projeção, não. A projeção saía.
Deixando tudo metódico e sem imaginação do vivo. Ele criava um universo de relação musical e pessoal que quando o vídeo saía tudo morria.
Ainda bem que o homem no palco é genial.
Sua música supera essa visão da relação com o vídeo, porque ele consegue segurar a onda.

Os vídeos eram legais. Misturando filmes, mas logo que a imagem saia, para mim, que ouvia a música, o vídeo que tinha saído era logo esquecido. Já não havia mais relação do que era cantado com o que foi projetado.
Assim dava toda atenção à música.
Não sei se tem, e parece não ter, quem conheça os ritos vivos com a tecnologia. Coisa de direção.
Puta proposta de show fala vídeo cinema: teatro.
E a ação de continuidade que o vídeo trazia como algo externo, ontológico, para os presentes através da música não existiu.
E última coisa porque terei que descer do ônibus. É que todos os jovens, juntos naquele lugar tinham uma beleza que me causava certo incômodo, pareciam jovens dos anos de 68/69. O que nos impedia e impede de ver o hoje. A ditadura pegando...

é agora...vou descer....
Reticencia sempre.
Finalização, não aqui.

Pera motô!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

canta CAVALEIRO byxo carpynteiro

Aqui
ser só sentimento
minha caneta
o teclado
é o registro de minha foto
eerraadaa
certa
ou desfocada
Aqui vai todo meu diário que a Erínia Barbara me mostrou.
trago aqui meu abcesso

Amor aos que leem,
para o mal e para o bem

sem ser nada, poeta, ator, músico...nada.
sernada.
o vazio.
receptáculo e emissor.