FREDY - diário de um ato(r)

traduzindo
em edição

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Texto publicado na revista CHUTE - ANTROPOFOTOGRAFAGIA- a pele que envolve a carne não tem planos

para a multiversidade a universidade etéreo e etherno

O COURO QUE ENVOLVE A CARNE NÃO POSSUI PLANOS

Antropofotografagia aos Negros

Fotografar o evento que durou quatro dias no Teatro Nelson Rodrigues que é administrado pela Caixa, projeto “Negro Olhar” realização de Tatiana Tiburcio.

Negro Olhar, o primeiro ciclo de dramaturgia de autores negros com atores negros... Um projeto para trazer à cena em leituras a situação atual dos afro-descendentes.

Presenças de grandes atrizes do teatro Brasileiro, Lea Garcia, Ruth de Souza, também o ator Milton Gonçalves com jovens atores, que fazem TV.

Cada peça trouxe um tema foco/ângulo sobre o negro, numa época, em tipos de dramaturgia/reflexão uma diferente da outra. Sortilégio mistério negro de Abdias Nascimento (autor, Brasileiro, que no dia da leitura de sua peça entrava no hospital, mandemos axé), O traseiro negro de Ma Raney de August Wilson, Tamborim da glória de Langston Hughes e As respostas da coruja de Adrienne Kennedy.

Ao final das leituras a professora Dra. Leda Maria Martins mediava o debate abrindo, sobre o autor do dia, um leque de conhecimento histórico, cultural, como também sua admiração pelo projeto, os atores lendo e debatendo as questões e posições divididas com o público, tudo dito em sua fala explicativa, não tediosa, simples, comunicativa, serena e não racista.

Antropofágica?

Um dos textos em um dos dias era muito preconceituoso, mas essa questão se resolveu nos dias que se seguiram, abrindo os pontos de vista entre os quatro dramaturgos.

Para resumir tudo o que ocorreu - do que discorrer sobre cada peça ou tema escolhido etc. – como pontos de virada, os pontos de luz, deixo aqui um depoimento e questão, sobre esse ponto de transformação, e não reativa a um “sistema de brancos”.

A grande questão que foi levantada foi a “moral”. Foi levantada mas não foi vista. As discussões ficaram no plano da pele, da história; nem da moral delas, mas dos “fatos”. Falou-se sobre os preconceitos atuais sociais “deles negros”, mas que eu me identificava, por exemplo. Então lembrei de uma música de um disco do Macalé com Luiz Melodia - um branco e um negro - que diz que “o couro que envolve a carne não tem planos”.

Agora entendi!

Entendi!

É claro que os negros têm que trazer à tona a história de seus ancestrais, assim como os índios do Brasil também e os negros-negros, brancos-negros, brancos-índios, índios-negros, negros-índios. Tudo pelo documento. (Passando pelo Catalisador). E revelar as artes. As técnicas, a cultura “perdida” e transformada transformando. Mas não para “provar” que negros tem tudo aquilo que o branco tem.

Provar!? Provar o quê para quem?

Muito reativo não? Cabeça de branco isso, não?

O que importa dessa nossa reflexão se ela ficar tentando provar ou buscar uma igualdade no que é branco ou não, se a pele, o couro que envolve a carne não tem planos?

Cabeça de branco isso, não?”

Volto e digo que a discussão para enriquecer a nascente do século XXI deve ser “comida a moral”, o tabu.

A questão tem que ultrapassar a moral de submissão, moral de inferioridade, entendendo como moral a ser comida.

Que temos nós com a escravidão, com o que aconteceu? Podemos sim reparar, diminuir os danos sociais ainda impregnados, o que não exclui outros couros em outras carnes. Estamos divididos em classes, e temos os formatos ideais de quem compõe as classes, por outro lado tem a realidade, que não há molde, negro é pobre ladrão, branco preconceituoso ou o que for do gênero.

Na realidade, a cor não importa, importa a moral.

E só pra contrariar um depoimento vindo da platéia dizendo que a culpa é do Gilberto Freyre que disse que somos uma população Brasileira, fatidicamente e fatalmente preguiçosa, enquanto que um americano quando está indignado compra uma arma, sobe num prédio, mata uma galera e ainda se mata, por ser-estar indignado com seu sistema.

Mas pensa nessa ação de comprar uma arma. Só pode vir de uma cultura que acredita que não tem outra solução a não ser à força. Por mais que o cara esteja indignado ainda faz o que o sistema quer que ele faça, como limite o cara ainda compra armas, balas de revólver. Sei não. Não to falando de paz, de gente boazinha no mundo.

Falo de Homens Tropicais.

Não somos reativos.

Pra quê brigar e ser reativo?

Podemos e devemos ir à luta, pra briga, na ação!

Não na reação!

O problema de todos no comum é a fome acima de tudo.

Essa terra é antropófaga. E macunaímica. Temos no Brasil ou tivemos uma sociedade também antes de chegar europeus e africanos; o inverso disso, essa reflexão sobre esse americano é sobre o homem reativo.

Não há problema na preguiça.

Se ela for macunaímica.

E assim abro o tema:

O que é e qual a diferença dessas preguiças?

Vamos comer?

Vamos comer.

Olhos da Cinelândia Alcindo Guanabara pro Mundo. Daqui da Ágora da mudança, do amor dançando na distância, tentando refinar minhas veias e circulações nas circulações de sobrevidas culturais ou estagnadas. Olhos olhando da Ágora.

Fredy