FREDY - diário de um ato(r)

traduzindo
em edição

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

aventura para a Universidade Antropofágica Bixiga-Cinelandia



Aventura para a Universidade Antropofágica
Sair da alienação da função empregatícia
Aos homens calmos e ativos e não re-ativos



“Agora seu rosto se inflama / com esta juventude que jamais nos fugiu, / Com esta coragem que, cedo ou tarde, / Vence a resistência de um mundo inerte, estúpido, / Com esta fé que sempre mais elevada / Avança intrepidamente ou se curva ligeiramente, / Para que o bem aja, cresça, sirva, / Para que chegue enfim o dia dos nobres.”
G.

É muito importante que todos consigam realizar nos corpos a revolução da educação. Revolução do sistema de ensino, para um de troca. Da forma de obter conhecimento. Revolução não é o algo subterrâneo acontecendo escondido pra se fortalecer. Revolução é revolução, como diz Ernesto Guevara, e tem que estar em praça pública, de abscesso aberto.
Então indivíduos, Sacis, - saci é cupido, é o éros Brasileiro - os que se dispõem a dizer, pensar, fazer praticamente a universidade antropofágica, terão que se autor virar. Chegar no topo de sua montanha e ainda escalar a própria cabeça.

Esse é o primeiro momento. Marco zero.

Fóra com a cultura dada, que somos acostumados, a “cultura utilitária”.
Iniciamos um marco zero, que é o da universidade.
É preciso ir no cerne.
Nos indivíduos.
Descobre-se o que é UNIVERSIDADE;
UNI da unidade;
o uni-verso.
Versos das unidades de comunicação
para outros universos
vivendo outras universidades.
Todos uni-versos.
Fazendo do corpo do homem não uma máquina de espera, de mofo, de reflexão, bipolar, historicista. Mas de ação. De planetas. Cada corpo um cosmos, uma galáxia.
Óbvio, nesse processo de descoberta a descoberta é o poder em si, por trazer alegria da emoção das descobertas. A alegria dos que não sabem e descobrem. Aqui Dulcina e Oswald dão-se as mãos.
Então não devemos nos reduzir à funcionalidade; a uma função que o desejo ou o instinto nos deu. De que natureza? O caráter é feito na descoberta da história e da feitura desse filme. Isso ficou claro quando nas ocupações no Dulcina cada vez mais tínhamos que ter uma responsabilidade e conhecimento da história do teatro, conhecimento político mesmo, pra poder ativar aquele espaço. Não bastava - ia ficando claro - apenas ir pra porta. Assim cada um descobriu em seu corpo o poder de renascer outro corpo. Se não virou outro corpo, pelo menos viu, conseguiu ver a projeção.
E sem estrutura, sem material, na rua. Começando do Zero.
No Bixigão, há material, há uma casa, há outras pessoas para o phoder de trocar. Portanto é imprescindível que cada um se liberte de algumas amarras, e vá pra conquistas de um vôo próprio, sozinho. Sozinho não no sentido Americano imperialista, do faça por si mesmo e se terá a conquista. Porém vôo de antropofagia, de digestão, mais no sentido da aventura exogâmica, como dizia Oswald de Andrade e Osvaldo Costa. A aventura individual dentro do coletivo. É preciso ser uma unidade produtiva para isso.
Unidade Produtiva.
Em outras palavras, o indivíduo que não é somente um repositório para as idéias dominantes de uma época; ao contrário, a sua virtude reside exatamente em que ele pode efetivamente, das entranhas, pensar a sua própria experiência e produzir a partir dela novas visões e manifestar novos comportamentos.
Como ator, na busca do trabalho virtual com meus parceiros, não poderei, nem poderia ficar esperando e apenas refletindo como seria a edição de nossos filmes se alguém editasse. Não. Foi preciso que eu senta-se a bunda na cadeira enche-se o saco do Yoda pra logo depois poder me livrar, tornando-me unidade produtiva de qualquer coisa ligada à vídeo na Casa-Bixxigão. No Ponto esse é o Ponto. Posso praticar meu estudo pessoal de ator, ao mesmo tempo fazer caminhar a parte de vídeo do grupo, óbvio não só editando, mas pensando e refletindo na ação minha atuação e encenação, fazer outras edições para o Bixigão ou qualquer outra coisa. Não me torno um editor. Torno-me um atuador que está dilatando a questão do ator. Estou estudando. Be-actor. Be-actriz. Beatriz. Que se resume não apenas em falar decorar textos. Não! Mas a expansão da informação da comunicação em linguagens ainda hoje virgens, novas, indefinidas... por isso frescas, saborosas, sem formas. Corpo sem órgãos.

O mesmo para músicos, produtores e o que for.

Porque isso? Essa independência? Não nos fará perder a qualidade?
Mas respondo perguntando: qualidade de que? De que padrão? Temos que sair do estado de escravidão, da relação de empregado, da relação medíocre que começa na escola. Da pirâmide. Do padrão.


Nietzsche aponta os vários obstáculos que a ‘cultura utilitária’ da sua época antepunha à ‘autêntica cultura’.

Em primeiro lugar, o ‘egoísmo dos negociantes’, com sua máxima que reza: ‘quanto mais cultura, mais produção, mais lucro e mais felicidade’, quer dizer, é preciso formar para que a cultura faça ganhar dinheiro e o dinheiro faça feliz.

Em segundo lugar, o ‘egoísmo do estado’, cujo objetivo é formar para adequar estudantes às instituições existentes, ou seja, integrá-los através de um aprendizado adequado e de uma profissão oficial para assim gerar conformidade neles.

Em terceiro lugar, o ‘egoísmo’ dos entediados e torpes que buscam na ‘bela forma’ um modo de se consolarem do conteúdo de fealdade que encontram em si próprios.

Finalmente, o ‘egoísmo da ciência’ dos ‘servidores da verdade’, isto é, dos eruditos conformados que detestam lidar com o sofrimento e cuja aridez, estreiteza e vulgaridade do pensamento os levam a odiar também e por isso a filosofia.

– Em suma: nem os negociantes, nem os funcionários, nem os eruditos, nem os filisteus da cultura podem de fato compreender os fins de uma cultura autêntica, exatamente porque estão comprometidos com objetivos que são totalmente estranhos e contrários a ela. De fato, a elevação da cultura exigiria, segundo Nietzsche, novos objetivos, novas instituições e uma revisão total das noções que até então orientaram a promoção da cultura: quer dizer, exigiria lutas e combates inauditos.

O único meio de superar estas condições adversas da idade moderna a uma cultura autêntica e superior – Antropofágica - só pode vir do exercício da reflexão filosófica, do estudo da filosofia, não certamente a filosofia que é destilada nas universidade e nos estabelecimentos de ensino em geral, mas uma filosofia que seja a manifestação direta e sofisticada da natureza que quer tornar a existência inteligível, para que somente assim ela própria seja redimida da sua cegueira e da sua loucura nos homens extraordinários e superiores. Cultura como fruição da vida. Não como reação ao sofrimento, à dor, a cultura como resistência. Mas como fruição da existência.
A primeira e principal exigência da filosofia é a ‘liberdade’: liberdade diante do Estado, da economia, da religião, enfim dos valores estabelecidos e dominantes, uma condição que, segundo Nietzsche, estava totalmente ausente nas instituições destinadas à educação, uma liberdade que só pode ser alcançada na luta contra os baluartes da mediocridade e os seus seguidores, uma luta que precisa ser travada exatamente numa época que parece não dar mais qualquer importância à liberdade e à reflexão filosófica.
Agora.
E parece prosseguir no Brasil, a mesma cabeça, a mesma forma de relação social sobre a produção da cultura. Por isso é preciso desalienar-se como artístas, educadores, ser segmentado. Que tem uma função simplesmente. Aqui está o limiar para uma aventura exogâmica, ou o da alienação do indivíduo na massa, em grupos, ou do individualismo ignorante ao movimento do vivo, ao ‘paul do movimento’. Expandir o poder da transformação. Do encontro para manifestar novos comportamentos. Jamais esperar. Ninguém espera ninguém. Unidade produtiva em aventura exogâmica.
Nesse passo, a casa do Bixxigão é base de treinamento, aprendizado, pra descobrir o sentido da seta apontada; de arco ainda frouxo. Tese o arco encontre um alvo; solte. A universidade Antropofágica. A caça. Medo? É o feto na vida aquosa da geração. Sentimento inaugural. Novos comportamentos.
Unidade produtiva. Já. Na Agora.

Se não o passo vai ser difícil de dar.
E do avião decolar.

Não.

Coração aberto para o panorama de análise.

MERDA